Justiça condena revista Época a pagar R$ 10 mil em indenização a irmão de Ricardo Coutinho

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Para o juiz Miguel de Britto Lyra, não pode a imprensa publicar qualquer fato sem ao menos checar a fonte e a veracidade da informação, sob pena de configurar ato ilícito.

A relatoria do caso foi do juiz convocado Miguel de Britto Lyra Filho (Foto: Walla Santos)

O irmão do ex-governador Ricardo Coutinho, Coriolano Coutinho, vai receber uma indenização no valor de R$ 10 mil da revista Época, pertencente à Editora Globo S/A. A decisão foi tomada pela Quarta Câmara Especializada Cível do Tribunal de Justiça da Paraíba, que manteve sentença proferida pelo Juízo da 4ª Vara Cível da Comarca da Capital. A relatoria do caso foi do juiz convocado Miguel de Britto Lyra Filho.

O alvo da Ação de Indenização foi uma reportagem publicada pela revista em novembro de 2011, que trazia a informação de que “entre os implicados estariam Coriolano Coutinho, irmão do Governador, seu mentor em superfaturar e fazer caixa dois”. A empresa apelou da sentença, sob o argumento de que a informação divulgada na matéria não contém o caráter de difamação ou sequer o dom de macular a honra do apelado. Alegou ainda que é dever da imprensa informar a população dos fatos ocorridos no cotidiano, não podendo fugir ao seu papel.

Para o juiz Miguel de Britto Lyra, não pode a imprensa publicar qualquer fato sem ao menos checar a fonte e a veracidade da informação, sob pena de configurar ato ilícito passível de condenação. “Por ser revista de grande porte, de um dos maiores conglomerados da informação do País, a empresa promovida tem por obrigação revisar o controle de suas publicações e periódicos, sob pena, repito, de eventual violação a honra do cidadão, como aconteceu no presente caso”, observou.

O magistrado ressaltou que embora seja garantido constitucionalmente o direito à livre manifestação de pensamento, a empresa jornalística extrapolou essa garantia ao veicular matéria depreciativa contra o autor da ação. “No caso em tela, pois, a empresa jornalística fugiu da órbita do exercício regular de um direito, não se atendo aos limites da razoabilidade e demonstrando, por sua vez, clara intenção de macular a honra ou a imagem do ofendido”. O relator concluiu que a revista deve ser responsabilizada pelos danos causados, com o pagamento da indenização no valor fixado na sentença.

“Considerando as particularidades do caso, entendo que o quantum de danos morais fixado na sentença (R$ 10 mil) mostra-se adequado à exposição na revista, tendo em vista que esse valor não importa incremento patrimonial das vítimas, mas busca a minoração da repercussão negativa do fato e um desestimulo à reincidência pelo agente, no caso, apelante. Expostas estas considerações, nego provimento ao recurso apelatório, mantendo incólumes todos os termos da sentença guerreada”, arrematou o magistrado.

 

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