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Representantes dos caminhoneiros dizem que paralisação do dia 29 depende do governo

Segundo o presidente da CNTA, Diumar Bueno, as principais reivindicações da categoria são definições claras para o tabelamento do frete e fiscalização deste cumprimento


RC Rodolfo Costa

postado em 22/04/2019 17:46 / atualizado em 22/04/2019 21:08

(foto: Tomaz Silva/Agência Brasil)
(foto: Tomaz Silva/Agência Brasil)
A promessa de greve dos caminhoneiros partiu de ez para a disputa política interna. Depois de lideranças autônomas se encontraram com o governo na última semana, a Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA) e outros líderes se reuniram ontem com o ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, para defender demandas da categoria. As principais reivindicações são as mesmas propostas nos últimos encontros, como o cumprimento do piso mínimo de frete e da jornada de trabalho. A diferença está na disputa de poder cada vez mais evidenciada. Na nova rodada de reuniões, líderes recebidos pelo governo se dizem os reais representantes.
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O caminhoneiro Wanderlei Alves, conhecido como Dedéco, que promete a greve para 29 de abril, participou da reunião. Antes do encontro, “lavou as mãos” ao ser questionado sobre a ameaça e disse que a resposta de “paralisação ou não” virá do governo. O presidente da CNTA, Diumar Bueno, endossou o argumento e disse que a possibilidade de nova greve “está nas mãos do governo”. Os representantes não esconderam a insatisfação da articulação feita entre Freitas e outras lideranças, como Walla Landim, o Chorão, um dos principais líderes da greve do ano passado.
A guerra interna é transparente e só amplia a desunião da categoria sem sinalizar uma interlocução capaz de desarmar a promessa de greve. A leitura feita pelos próprios caminhoneiros é que há uma divisão de lideranças para saber quem é o representante da classe. Dedéco e Chorão concorreram às últimas eleições para deputado federal pelo Podemos no Paraná e em Goiás, respectivamente. Apesar da derrota de ambos, Chorão conseguiu se aproximar do governo e mantém diálogo com Freitas e o ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni.
Já Dedéco alega que o governo “fechou as portas”. Ele mesmo afirma ser o responsável por ter vazado áudios gravados por Lorenzoni dizendo que o governo havia estabelecido uma “trava” nos reajustes do óleo diesel feitos pela Petrobras. O grupo de líderes caminhoneiros que não é ligado a ele o acusa de se aproximar de Bueno, um desafeto antigo, apenas para se alçar como um dos principais nomes no setor e articulador dos autônomos. Em um vídeo que circula em grupos de WhatsApp, um homem o hostiliza, o chama de “massa de manobra” e diz que, no Porto de Santos, nenhum caminhoneiro vai parar em 29 de abril.
A própria CNTA, no entendimento de transportadores ligados a Chorão, quer retomar o prestígio e manter a estrutura. Na greve do ano passado, a entidade negociou os primeiros acordos com o governo do ex-presidente Michel Temer, mas a paralisação se manteve, evidenciando, para alguns, uma falta de comando entre autônomos que não se sentem representados por sindicatos. Foi ali que Chorão cresceu dentro da classe e passou a conversar com a gestão emedebista.

Tensão(foto: Tomaz Silva/Agência Brasil)

Os transportadores ligados a Dedéco, por sua vez, dizem que Chorão não é caminhoneiro, sugerindo que ele não tem poder para representar a classe. É o que afirmou o caminhoneiro Fabiano “Careca”, de Governador Valadares, ao ministro da Infraestrutura, em vídeo gravado durante a reunião de ontem. “Morei em São Paulo e sei das histórias do Chorão, que é representante de van escolar. Nunca dirigiu um caminhão, não tem ANTT (documento). Mas fica me humilhando e ameaçando de morte”, acusou. Chorão nega as acusações e diz que luta pela categoria.
A reunião entre Freitas e os caminhoneiros teve momentos de tensão. Em um dos momentos, em fala gravada em vídeo, o ministro explica que não é simples ampliar a produção do óleo diesel como em um toque de mágica. “Não é assim (…) a fada madrinha chega, bate lá uma varinha na Petrobras e amanhã estamos produzindo óleo diesel. Nós importamos óleo diesel”, afirmou, ao ser interrompido e pedindo para concluir o raciocínio. “Deixa eu falar, se não, não vamos conseguir ter uma reunião organizada e não vamos chegar a lugar algum”, ponderou. Entre os pontos que ele se comprometeu está o cumprimento do “gatilho” na tabela do frete mínimo, em que se aumenta o valor do frete conforme o diesel é reajustado em 10%.
fonte correio braziliense
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